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Presidente da Argentina pede que instituto contra racismo analise sua frase sobre brasileiros terem saído da selva

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Presidente da Argentina pede que instituto contra racismo analise sua frase sobre brasileiros terem saído da selva

BUENOS AIRES — O presidente da Argentina, Alberto Fernández, enviou na noite de quinta-feira uma carta à presidente do Instituto Nacional contra a Discriminação, a Xenofobia e o Racismo (Inadi), Victoria Donda, pedindo para avaliar se sua frase sobre a origem de argentinos, brasileiros e mexicanos corresponde a um ato de discriminação. Em entrevista na quarta-feira, ele afirmara que “os mexicanos saíram dos índios, os brasileiros saíram da selva, mas nós, os argentinos, chegamos nos barcos”.

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“Ontem, citei uma frase ‘nós argentinos chegamos dos barcos’ que vejo que mexe com alguns dos preconceitos que existem na nossa sociedade. Para aqueles que se ofenderam com minhas palavras, peço que me desculpem. Mas, observando que foi interpretada por alguns de uma forma que contradiz minhas ações e nossas decisões de governo, permito-me colocar essas reflexões à sua consideração para os fins que você considere adequados”, começa a carta de duas páginas.

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“Quero esclarecer minhas convicções profundas e sinceras sobre a população argentina e latino-americana”, continua o presidente, acrescentando: “a Argentina foi um dos países do mundo que mais recebeu imigrantes europeus entre o final do século XIX e o início do século XX. Isso cria um vínculo cultural inevitável”.

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A carta continua: “Isso não me faz perder de vista que, desde antes da colonização, havia diversos povos indígenas no país. Conhecemos as situações de violência e genocídio que ocorreram ao longo da nossa História”.

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“Hoje, existem dezenas de povos nativos no país com suas línguas e tradições. Além disso, pesquisas importantes indicam que cerca da metade da população argentina tem ascendência indígena. Nós, argentinos, somos o produto dessa História à qual se soma a presença de muitos outros povos, inclusive de migrações de países latino-americanos”, afirma Fernández, que foi repudiado por lideranças políticas de vários países da região

Veja memes criados depois de gafe do presidente argentino, Alberto Fernández Foto: Reprodução Foto: Reprodução Foto: Reprodução Foto: Reprodução Foto: Reprodução A gafe de viés racista foi cometida em uma entrevista ao lado do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que visitou Buenos Aires nesta semana. O presidente argentino cometeu ainda um erro ao atribuir ao escritor, Prêmio Nobel da Literatura e diplomata mexicano Octavio Paz a frase que o inspirou. A Paz é atribuído o seguinte comentário: “Os mexicanos são descendentes de aztecas, os peruanos dos incas e os argentinos dos barcos”

PUBLICIDADE No entanto, a frase dita pelo chefe de Estado vem literalmente de uma música do cantor argentino Litto Nebbia, de quem o presidente é fã declarado e que teria se inspirado no comentário de Octavio Paz. A música se chama “Llegamos de los barcos” e diz exatamente o que foi expressado por Fernández: “Os brasileiros saem da selva, os mexicanos dos índios e nós, os argentinos, chegamos nos barcos”

Em entrevista ao GLOBO na quarta , o historiador argentino explicou que a frase de Octavio Paz sobre mexicanos, peruanos e argentinos que inspirou a música de Litto Nebbia citada por Fernández “é dita com ironia, pela conhecida soberba dos argentinos”

Pigna lembrou, ainda, que no final do século XIX a Argentina viveu um genocídio indígena que deixou o território nacional despovoado. Foi uma campanha violenta, liderada pelo presidente Julio Argentino Roca (1880-1886 e 1898-194), à qual Fernández se referiu em sua carta

—  Esse genocídio é consequência de uma campanha militar agressiva que buscou ocupar territórios em mãos de indígenas. Roca é considerado o responsável pelo massacre —  disse Pigna

Na carta, o presidente diz ainda que “os diferentes povos da América Latina foram influenciados pelas grandes tradições astecas, maias, incas e inúmeros povos indígenas. Produto da História da escravidão e da sua emancipação, há também uma presença muito importante das tradições africanas e depois afro-americanas, com todas as suas riquezas, também no nosso país”, detalha Fernández, que acrescenta: “com todos esses antecedentes, as migrações europeias tiveram incidência variada na formação de nossas cidades”

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Fernández afirma que “nosso governo se orgulha e defende a diversidade cultural da Argentina. Tomamos decisões nesse sentido e continuaremos no mesmo caminho. Além disso, hoje estamos reconstruindo a Argentina na ‘grande pátria’. Demonstramos isso em nossa defesa da integração regional, em nossa solidariedade ao povo boliviano diante de um golpe, em nossa defesa dos direitos democráticos em cada país da região, em nosso trabalho conjunto com o México pela vacina, em nosso cooperação com os países da América Latina no contexto da pandemia”

“Argentinos e argentinas, assim como latino-americanos e latino-americanas, são o resultado de nossas misturas e de nossas heterogeneidades. Estamos unidos aos povos indígenas, afro-americanos e aos imigrantes vindos da Europa e de todas as latitudes”, acrescenta o presidente

No final, ele escreve: “Eu insisto: estou orgulhoso de nossa diversidade. Meu governo trabalha por uma convivência intercultural baseada no respeito e no reconhecimento das diferenças. Espero que essas palavras nos permitam compreender as principais ideias com as quais sempre trabalhei e continuarei trabalhando no futuro”

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